No último pregão da semana, Ibovespa encerra em alta
Diferentemente do que ocorreu durante a semana, a Bolsa de Valores de São Paulo termina o dia com valorização de 1,59%, em decorrência das divulgações de resultados trimestrais de empresas nacionais. Além disso, os investidores acompanharam com otimismo a desaceleração da inflação no Brasil. Fora do país, as atenções se concentraram principalmente no relatório que mede o numero de empregos gerados nos Estados Unidos.
No âmbito das empresas nacionais, a Vale divulgou ontem, após a sessão, seus resultados referentes aos três primeiros meses de 2011. A mineradora reportou no período lucro líquido de R$ 11,20 bilhões, ante R$ 2,88 bilhões em igual período do ano anterior, o que representa alta de 292,2%. Da mesma forma, o Ebitda atingiu o valor de R$ 15,52 bilhões, aumento de 188,2%, quando comparado com os R$ 5,39 bilhões do 1°T10. A companhia ainda mencionou que seu orçamento para investimentos se reduziu em 17%, para US$ 20 bilhões, abaixo dos US$ 24 bilhões anunciados em outubro de 2010. A burocracia para obtenção de licenças ambientais e dificuldades de encontrar mão de obra qualificada, são as justificativas da empresa.
Ainda sobre a temporada de balanços, as ações PN da Lojas Americanas e ON da B2W Varejo dispararam 9,38% e 7,94%, nesta ordem. A primeira anunciou um lucro liquido de R$ 62,40 milhões, avanço de 28,1% em relação ao número registrado no ano passado. O valor foi considerado positivo, visto que os analistas esperavam contração. Por sua vez, a B2W apresentou um prejuízo líquido de R$ 1,60 milhão para os três primeiros meses de 2011, enquanto um ano antes havia registrado lucro de R$ 14 milhões. No entanto, o valor contrariou as expectativas dos analistas, que esperavam um prejuízo em torno de R$ 11 milhões.
Dando continuidade, a Duratex divulgou um lucro líquido de R$ 76,90 milhões, queda de 35,7% na comparação com os três últimos meses de 2010. O Ebitda ficou em R$ 182,50 milhões no período, com redução de 3% em relação há um ano.
No cenário corporativo, mais fora dos resultados contábeis, a Tim Participações está em negociação com a BM&F Bovespa para a conversão de todos os seus papéis preferenciais em ordinários no intuito de poder fazer parte do Novo Mercado da bolsa. Vale destacar que depois de aceita pela bolsa, haverá uma Assembléia Geral Extraordinária para a aprovação dos acionistas. Com isso, os papéis ON e PN da empresa encerraram as negociações com forte valorização de 7,20% e7,78%, na sequência, figurando entre os destaques de alta do Ibovespa.
Por fim, a agência de risco Fitch Ratings elevou em dois graus, de "BBB" para "A-", a nota de risco de crédito de longo prazo da Ambev em escala mundial. A nota na escala nacional foi mantida no nível mais alto, "AAA". É a primeira vez que uma empresa brasileira alcança o nível "A-".
No cenário econômico nacional, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) informou que o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de abril registrou taxa de 0,77%. Com isso, a inflação de 2011 ultrapassa por pouco o teto de 6,5% estipulado pelo Banco Central e atinge 6,51%. Porém, como o IBGE previa que o indicador variasse entre 0,70 e 0,90, pode-se considerar então uma desaceleração da inflação no país.
No ambiente internacional, foi divulgado o Relatório de Emprego pelo Departamento de Trabalho dos Estados Unidos, o qual informou a abertura de 244 mil postos de trabalho em abril, valor acima do esperado pelo mercado que previa um aumento de 185 mil postos no mês. Entretanto, a taxa de desemprego saltou de 8,8% para 9%.
Ainda nos EUA, o Federal Reserve apresentou o Consumer Credit, que mensura o volume de crédito concedido no país. De fevereiro a março verificou-se um avanço ajustado sazonalmente de US$ 6 bilhões no montante de crédito concedido ao consumidor norte americano. O resultado veio melhor do que indicavam as projeções, que eram de avanço de US$ 4,90 bilhões na base de crédito destinada ao consumidor no período. Assim, o montante concedido chegou a US$ 2,42 trilhões.
Encerrando, na Europa a produção alemã cresceu 1,8% com ajustes sazonais sobre o mês anterior, de acordo com as projeções dos economistas. Porém, os dados de dezembro recuaram 0,6%. Ademais, o Departamento de Estatísticas (ONS) do Reino Unido revelou que o Índice de Preços ao Produtor (PPI) do país apresentou um recuo de 0,3% em maio, frente ao mesmo período de 2010. Por outro lado, o mesmo indicador mostrou elevação em 0,4% na comparação mensal.
Resumo da semana de 02/05 a 06/05
A Bolsa de Valores de São Paulo acumulou fortes perdas durante a semana, com exceção desta sexta-feira. O pessimismo foi influenciado, principalmente, pela divulgação de índices norte americanos, ofuscando o noticiário europeu e asiático. Além disso, a semana foi marcada também pela morte do homem mais procurado do mundo, Ossama Bin Laden. No cenário interno, o destaque ficou para a temporada de balanços do primeiro trimestre de 2011.
No mercado internacional, o mundo acompanhou o anúncio da morte do líder da rede terrorista Al Qaeda, Ossama Bin Laden. O fato gerou repercussão nas ações das companhias que trabalham com commodities no mundo todo. É importante destacar a preocupação dos investidores com possíveis retaliações que possam prejudicar a maior economia mundial, que se encontra em processo de retomada do crescimento, já que, após o comunicado oficial da morte pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, um dos principais representantes da Al-Qaeda divulgou um comunicado revelando uma revanche, prometendo vingar o assassinato do sheik.
Quanto aos indicadores, segundo os dados do ADP Employment Report, o número de postos de trabalho no setor privado dos Estados Unidos ficou abaixo das 200 mil novas vagas esperadas pelo mercado e atingiu 179 mil no mês de abril, depois de adicionar 207 mil empregos no mês anterior. Já o índice de emprego caiu 0,3 ponto, para 62,70%.
Ainda em relação a maior economia mundial, o índice que mede a atividade manufatureira passou de 61,20% em março, para 60,4%, um mês depois. No entanto, se mantém acima dos 50%, indicando crescimento. Ademais, outros indicadores chamaram a atenção, como o referente às novas encomendas, que recuou 1,6 ponto percentual, ficando em 61,70%, e o índice de produção com queda de 5,2 pontos, fechando em 63,80%. Na mesma linha, os gastos com construção aumentaram 1,4% no período entre fevereiro e março, porém revelaram queda de 6,7% quando comparado com o terceiro mês de 2010.
No ambiente corporativo, destaque para o número da Vale que, mais uma vez, bateu recordes. A empresa reportou um lucro líquido de R$ 11,20 bilhões no 1°T11, ante R$ 2,88 bilhões em igual período do ano anterior, o que representa alta de 292,2%.
A AmBev, por sua vez, registrou um lucro líquido de R$ 2,09 bilhões entre janeiro e março de 2011, cujo crescimento, antes de itens extraordinários, representou expansão de 21,7% em relação ao mesmo período do ano passado. Ademais, a receita líquida e o Ebitda avançaram 7,2% e 10,4%, respectivamente.
Já a Embraer mostrou um lucro líquido de R$ 173,40 milhões no primeiro trimestre, 295,30% superior ao do mesmo período de 2010, enquanto o Ebitda cresceu 23,95% e a receita líquida caiu 1,52%.
Por outro lado, a Gerdau apresentou uma retração anual de 29% em seu lucro líquido. De acordo com a companhia, a queda se deu pela diminuição da receita no Brasil gerada por descontos de preços no mercado interno e alta de quase 30% nos custos de vendas. Assim sendo, a empresa obteve um lucro líquido de R$ 409 milhões, inferior ao resultado positivo do ano passado, que foi de R$ 573 milhões. Já o Ebitda foi de R$ 1,10 bilhão de reais caindo 21% na mesma base de comparação.
Paralelamente, o Itaú Unibanco revelou que seu lucro líquido aumentou na comparação entre o primeiro trimestre de 2010 e o de 2011, aos R$ 3,53 bilhões. A carteira de crédito incrementou-se em 21,90%, aos R$ 344,80 bilhões, e os ativos totais atingiram R$ 778,50 bilhões, um acréscimo de 21,30%.
Ainda no que diz respeito à temporada de balanços, a Tim revelou um aumento em seu lucro líquido, ao atingir o total de R$ 213,50 milhões no 1ºT11, quase quatro vezes os R$ 54,60 milhões do mesmo período de 2010. Segundo a empresa, o desempenho se deve pela melhora do resultado operacional, pela redução de amortizações e por melhores números financeiros.
Fora dos resultados, a BMF&Bovespa revelou o início dos cálculos e a divulgação, em tempo real, de quatro novos índices: o Índice Brasil Amplo (IBrA); Índice Dividendos (IDIV); Índice Materiais Básicos (IMAT) e Índice Utilidade Pública (UTIL).
No noticiário econômico interno, foi divulgado o relatório Fócus com as estimativas de inflação por meio do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), no qual em 2011 subiu para 6,37%, ante 6,34%, já em relação a 2012 manteve-se em 5%. Já a projeção para a taxa Selic aumentou de 12,25% para 12,50% em 2011 ao passo que para 2012 foi acrescida de 11,75% para 12%. Por sua vez, o PIB (Produto Interno Bruto) teve sua previsão mantida em 4% em 2011 e aumentada para 4,25% um ano depois.
Em números reais, o IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado), apresentou recuo de 6,90% neste ano e se manteve estável em 5% para 2012. Por outro lado, o IPC-Fipe (Índice de Preços ao Consumidor) deve aumentar para 5,71% em 2011 e 4,78% para 2012. Encerrando a FGV (Fundação Getulio Vargas) divulgou o IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor - Semanal), no qual registrou elevação da inflação na última semana do mês, marcando variação de 0,95%, taxa 0,15 p.p. maior àquela encontrada na semana anterior.