Ibovespa opera com volatilidade, refletindo mercado externo e interno
Em um dia repleto de notícias, a Bolsa de Valores de São Paulo segue esta sessão em volatilidade, mediante as notícias dos mercados externo e interno. No âmbito internacional, as atenções se voltam para a divulgação de importantes dados econômicos dos Estados Unidos, Europa e Japão. Internamente, além do noticiário corporativo, destaque para a redução da estimativa de inflação para o Brasil, divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e pela FGV (Fundação Getúlio Vargas).
No ambiente internacional, o Departamento de Trabalho dos Estados Unidos reportou que o número de pedidos de auxílio-desemprego reportados no país foi de 382 mil novos pedidos, na última semana, número melhor que a expectativa dos analistas, que esperavam 386 mil solicitações.
Na Europa, o BCE (Banco Central Europeu) decidiu aumentar a taxa básica de juro de 1% para 1,25%, conforme anunciado após a reunião do órgão. Além disso, a autoridade monetária da Zona do Euro também decidiu elevar a taxa de juro da linha especial de liquidez (Marginal Lending Facility) em 0,25 ponto percentual, de 1,75% para 2% ao ano. Outra mudança se deu na taxa de remuneração de depósito, que também foi elevada em 0,25 p.p., chegando a 0,50% ao ano.
Por sua vez, o BoE (Bank of England) anunciou a manutenção da taxa básica de juro em 0,50% ao ano. Além disso, o autoridade monetária também manteve o programa de compra de ativos em £ 200 bilhões, conforme esperado pelo mercado. Vale destacar que a última alteração na taxa básica de juros ocorreu em 5 de março de 2009, quando o comitê optou pela redução em 0,50 p.p..
Na Alemanha, a produção industrial avançou 1,6% em fevereiro na comparação com o mês anterior. Este é o segundo mês seguido em que o indicador apresenta alta na comparação mensal, o que indica que a recuperação da economia alemã acontece de forma sustentada neste primeiro bimestre.
Já na França, o déficit comercial voltou a subir em fevereiro pelo quarto mês consecutivo, alcançando o nível recorde de € 6,55 bilhões (US$ 9,35 bilhões) devido à alta dos preços do petróleo. O último recorde foi em outubro de 2008, quando o déficit comercial ficou em € 6,35 bilhões.
Fechando o noticiário externo, o Banco do Japão (BOJ) anunciou que vai oferecer ¥ 1 trilhão (US$ 11,70 bilhões) em empréstimos baratos para incentivar as instituições financeiras nas áreas afetadas pelo terremoto e tsunami de 11 de março. O banco decidiu ainda manter a taxa de juro entre 0% e 0,1% e conservar seu fundo de compra de ativos. Ademais, a autoridade monetária reviu para baixo sua avaliação da economia em razão das incertezas e avisou estar pronta para afrouxar a política monetária, se necessário, para lidar com a crise nuclear e outros problemas no setor de energia.
No cenário corporativo interno, a blue chip Petrobras atrai as atenções dos investidores. Ontem, a agência de classificação de risco Fitch rebaixou o rating em moeda local da estatal de “BBB+” para “BBB”, com perspectiva estável. Vale destacar que, de acordo com a agência, o rebaixamento incorpora o esperado crescimento da alavancagem da estatal, decorrente do expressivo programa de investimentos, e dos desafios projetados pelo pré-sal. Dessa forma, perto das 13h, os ativos ON e PN da Petrobras desvalorizavam 1,25% e 1,06%, respectivamente.
A Brasil Foods, por sua vez, recebeu o grau de investimento após o seu risco de crédito passar para “BBB-”, com perspectiva estável, pela Fitch Ratings. É importante ressaltar que os ratings se baseiam no sólido perfil de negócios da BRF, uma das maiores produtoras e distribuidoras de alimentos do Brasil, na melhora da sua rentabilidade e na alavancagem moderada, segundo a Fitch. Mesmo assim, os ativos ON da BRF caíam 1,57%, próximo das 13h.
Dando continuidade, a Fitch elevou os ratings para dívida emitidas no exterior e para a probabilidade de inadimplência da Eletrobras de “BBB-” para “BBB”, a qual atribui perspectiva estável para os papéis.
No setor de telecomunicação, a Telefônica, controladora da Vivo, obteve a aprovação da compra da empresa Ajato pelo pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), em processo de aprovação que se iniciou em 2006.
Também sobre o noticiário da véspera, o Minerva reportou que elevou o seu market share nas exportações brasileiras de carne bovina in natura. Segundo a companhia, o montante passou de 20,2% no final de 2010 para cerca de 24,5% no mês de março, enquanto incrementou o preço médio de venda em 12% no mesmo período.
Sobre as Ofertas Iniciais de Ações (IPO), a T4F Entretenimento anunciou que alterou o cronograma da oferta. Agora, o resultado do procedimento de bookbuilding ficou marcado para o dia 11 de abril. Já a rede varejista Magazine Luiza comunicou que deverá fazer uma oferta primária de 33,75 milhões de ações ordinárias e secundária de 16,56 milhões de ações, também ordinárias, com estimativa de que o preço fique na faixa entre R$ 16 e R$ 21. Considerando que as ações atinjam o valor máximo estipulado, a oferta pode chegar aos R$ 1,06 bilhão.
Partindo para os indicadores nacionais, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) revelou que o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), medida oficial da inflação doméstica, registrou taxa de 0,79% em março. A taxa do mês passado ficou apenas 0,01 ponto percentual abaixo da variação apurada em fevereiro, quando o índice marcou inflação de 0,80%. Entretanto, o desempenho do indicador ficou acima das projeções do mercado, segundo o último relatório Focus divulgado pelo Banco Central.
Já a FGV (Fundação Getúlio Vargas) mostrou que o IGP-DI (Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna) marcou taxa de 0,61% em março, queda de 0,35 ponto percentual na comparação mensal.
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