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segunda-feira, 7 de março de 2011

"Eu morreria se a Daslu fosse fechada"

Depois da prisão e do câncer, Eliana Tranchesi, ex-dona do maior templo do luxo do País, diz que nunca sonhou ter um império e conta como será a vida de funcionária.

DESAPEGO
“Desde que exista, a Daslu
não precisa ser minha”,
diz Eliana

Na tarde da quarta-feira 2, a empresária Eliana Tranchesi embarcou para Paris. Junto com uma equipe de oito executivas da Daslu foi assistir aos desfiles das maisons francesas e comprar os looks da estação que lhe são mais atraentes, coisa que faz semestralmente. Na véspera, ela participou da primeira reunião de conselho da Daslu, não mais como dona da marca, mas como funcionária do grupo Laep Investiments, do empresário Marcus Elias, que também controla a Parmalat no Brasil. O investidor arrematou a marca que se convencionou chamar de império de luxo numa operação totalizada em R$ 65 milhões, durante uma assembleia de credores para aprovar o plano de recuperação judicial da empresa. A empresária, que ficou com uma das duas lojas, será a principal executiva do grupo para manter o DNA da grife. Na tarde chuvosa daquela quarta-feira, Eliana nem de longe parecia triste por ter vendido, uma semana atrás, a marca que foi propriedade de sua família por 53 anos. Estava animada, apressada para não perder o voo, e cheia de planos. “Trabalharei com o mesmo entusiasmo como nos últimos 32 anos”, diz ela, nesta entrevista exclusiva à ISTOÉ.

Quando o empresário Marcus Elias entrou no processo?

Na mesma época em que decidimos pela recuperação judicial. O Marcus e a Laep tem um perfil empreendedor e ao mesmo tempo eles tomam risco. A Parmalat, que a Laep controla, tinha 10 mil credores e eles resolveram o problema de todos. Eles tem know-how. Fiquei tranquila quando Marcus me procurou. Nos conhecemos por meio de um amigo que também tinha interesse na Daslu e que achou que o temperamento do Marcus ia dar certo com o meu. Ele tem uma espiritualidade grande, é especial. É importante trabalhar para alguém por quem temos admiração. E também sei que ele me admira.


Como planejaram tudo?

Sabíamos que conseguiríamos manter a Daslu viva. A empresa estava respirando. Tínhamos ativos, clientes, coleções, lojas, pessoas, glamour e uma empresa organizada. Ela só não respirava porque tiravam oxigênio. O Marcus me procurou dizendo que ele tinha interesse na compra, através da recuperação judicial.


Como isso surgiu como solução?

Tivemos ao longo do tempo vários amigos ajudando. E uma das hipóteses sempre foi a recuperação judicial. Isso três anos atrás. A gente foi vendo que estava difícil de levar. Corria risco de a empresa sofrer, ficar sem dinheiro para capital de giro e falir. A decisão foi um alívio, porque a empresa teria um futuro, que pode ser planejado.


Imagino que tenha mastigado muito a decisão pela venda.

Minhas filhas brincam comigo e dou risada. As meninas dizem que topo qualquer brincadeira desde que eu mande. Mas não gosto de mandar em nada que não conheço. E o que eu conheço é estilo, criação, atendimento e marketing. E eu tenho muito ciúmes da Daslu. Tenho fascinação por bom atendimento. Se eu puder continuar sonhando tudo isso, para mim qualquer brincadeira serve.

Vender a marca por R$ 65 milhões foi um bom negócio ou o negócio possível?

Esse número não é mágico na recuperação judicial. É a soma dos credores mais a necessidade de capital da empresa para recomeçar o negócio. Podia ser R$ 212 milhões, R$ 25 milhões. Era o necessário para garantir os empregos e a marca.


“Me aborrecem referências como
império em ruínas. Não sabem
enxergar o que é a Daslu"

( ME )


Mais... http://www.istoe.com.br/reportagens/127163_EU+MORRERIA+SE+A+DASLU+FOSSE+FECHADA+

http://www.istoe.com.br/assuntos/entrevista/detalhe/126909_EU+MORRERIA+SE+A+DASLU+FOSSE+FECHADA+

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